A sua praia está própria para banho?

Escolha a sua praia e veja como ela estava na última coleta, o histórico dela e, principalmente, qual fator (chuva, vento, maré, estação) mais se associa à contaminação. A partir de 8.840 coletas oficiais do IMA (02/01/2024 – 19/10/2026). Para saber de hoje, o boletim do IMA é a fonte: aqui aparece a última rodada já publicada, e o IMA passa pela cidade a cada 7 dias na temporada e a cada ~8 dias fora dela.

Painel por praia

Leitura da cidade

No conjunto de Floripa, é o fator que mais separa próprio de impróprio: 15 pontos entre o melhor e o pior cenário dele. Mas o que domina muda de praia para praia: selecione a sua para ver. Na coleta mais recente de cada praia, 17 das 40 estavam impróprias. A rodada mais recente do IMA no histórico é de 19/10/2026: nas últimas rodadas o IMA passou pela cidade a cada ~8 dias, contra 7 na temporada, então o boletim oficial pode já estar mais novo que isto.

% impróprio

29%

das coletas reprovaram (E. coli alto)

Mediana E. coli

109NMP

bactéria de esgoto; maior = pior

Coletas

8.840

tamanho do histórico

Na última coleta

17/40

praias impróprias na coleta mais recente de cada uma

Monitoradas

40

balneários

Mapa, clique numa praia

Cor = % de coletas impróprias · tamanho do ponto = nº de coletas

Carregando mapa…
< 15%15–30%30–50%≥ 50%

Chuva × impropriedade, todas as praias

% de coletas impróprias em cada categoria de chuva; a haste é o intervalo de confiança de 95%. A categoria de chuva vem da observação do coletor do IMA na coleta, não da estação pluviométrica.

Entre o melhor e o pior cenário de chuva vão 7 pontos percentuais de reprovação.

NMP = número de bactérias (E. coli) por 100 mL. Pela CONAMA 274, a água é própria até 800 NMP (categoria satisfatória) e imprópria quando uma coleta passa de 2.000; a classificação é a do boletim do IMA. pp = pontos percentuais, a diferença entre duas porcentagens.

Animal marinho encalhado

Achou um animal marinho encalhado ou machucado na praia: não toque, mantenha distância e ligue para o PMP-BS, 0800 642 3341.

O que fazer
Não toque e mantenha distância. Ligue para o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que cobre o litoral de Laguna ao Rio de Janeiro: em Santa Catarina, 0800 642 3341.
Quais animais
Aves marinhas, como pinguins, tartarugas e mamíferos marinhos, vivos ou mortos.

Conferido em 30/09/2026 nas páginas oficiais: PMP-BS, Comunica Bacia de Santos (Petrobras) (abre em nova aba).

Análise aprofundada

Três perguntas que o boletim não responde, com 5 associações conclusivas e a chuva medida pela EPAGRI/CIRAM e pelo CEMADEN.

Análise 1

Estabilidade histórica

Praia cronicamente imprópria é estável-ruim e dá para evitar; a que pisca toda semana é a armadilha. Os 40 balneários separados por severidade e por oscilação.

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(quanto a praia dá impróprio) e (com que frequência ela vira de própria para imprópria) são coisas diferentes. Uma praia cronicamente imprópria é estável-ruim; uma que pisca toda semana é imprevisível. Cada ponto é um balneário (40 no total).

Estável e limpaInstável (pisca muito)Cronicamente imprópriaCrítica e instávelTamanho do ponto = nº de coletas

Leitura dos dados

Das 40 praias com histórico longo, 11 reprovam na maioria das coletas (≥50% impróprio): essas são previsíveis, quase sempre ruins, dá para simplesmente evitar. O risco silencioso está em outras 8, que passam na maioria das vezes, mas viram para imprópria sem aviso: nelas a leitura de ontem não garante a água de hoje, e é a imprevisibilidade que vira armadilha. A oscilação aqui é da classificação própria↔imprópria ao redor do limite legal.

As 8 praias-armadilha · geralmente próprias, mas oscilam (viragens, decrescente)

  1. 1Praia de Santo Antônio de Lisboa24%17% impróprio
  2. 2Praia da Tapera21%33% impróprio
  3. 3Praia de Sambaqui21%9% impróprio
  4. 4Praia do Cacupé20%36% impróprio
  5. 5Praia Brava19%25% impróprio
  6. 6Praia de Canasvieiras19%21% impróprio
  7. 7Praia dos Ingleses18%30% impróprio
  8. 8Praia de Jurerê17%13% impróprio

Todas reprovam em menos de 50% das coletas (passam na maioria das vezes). O número em destaque é a % de viragens, coletas em que a classificação mudou em relação à anterior; quanto maior, mais imprevisível.

Metodologia

Eixo X = severidade (% de coletas impróprias); eixo Y = volatilidade (% de viragens própria↔imprópria). É instabilidade histórica da classificação, não medida direta de risco sanitário. Só balneários com ≥20 coletas entram no gráfico.

Análise 2

Sensibilidade à chuva

A chuva antecipa a piora em 5 balneários, com teste estatístico. Na média da cidade o efeito é fraco: não é a orla inteira que piora junto.

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Para cada coleta, somo a nas 48 h anteriores na estação confiável mais próxima e comparo a chance de dar impróprio em dias pós-chuva (≥10 mm) vs secos. Onde há estação local de qualidade, o efeito aparece confirmado em praias específicas. Já na média da cidade ele é fraco e some quando a chuva é medida localmente, sinal de que a chuva piora certos balneários, não a orla toda por igual.

Resultado · efeito confirmado por praia

Em 5 balneários a chuva eleva o risco de forma estatisticamente confirmada (, p<0,05), mesmo com a amostra menor de cada praia. Na Praia de Sambaqui, a chance de impróprio passa de 8% em dias secos (N=92) para 20% pós-chuva (N=40; 10–35%): +12 pontos. São praias onde a chuva antecipa a piora da água.

Resultado · na média da cidade

Juntando todas as praias num único cruzamento, o efeito é pequeno e não robusto: de 25% (seco) para 27% pós-chuva, só +2 pp (p = 0,174, não significativo). E ele encolhe quanto mais local e precisa fica a medição da chuva: ~+6 pontos com a rede esparsa de 4 estações, ~+2 ao acrescentar estações locais validadas. Não há, portanto, um efeito uniforme de cidade: a chuva pesa em praias específicas, e o tamanho aparente do efeito geral depende de onde a chuva é medida.

O volume, por outro lado, importa: restringindo o corte à chuva pesada (≥20 mm na mesma janela), o efeito sobe para +3,7 pp (p = 0,020, significativo) e, alargando a janela para 3 dias, chega a +4,5 pp (p < 0,001, significativo). O sinal médio é fraco no corte padrão, mas cresce de forma consistente com o volume de chuva.

As 5 praias em que o efeito é conclusivo mesmo isoladamente (teste z, p<0,05): a % de impróprio em dias secos vs pós-chuva; a haste é o .

SecoPós-chuvaHaste = IC95%

Leitura dos dados

A chuva piora a balneabilidade em praias específicas, confirmado em 5 balneários, concentrados no norte da ilha, onde há estação local confiável. Já na média da cidade o efeito é fraco e não robusto, e diminui à medida que se mede a chuva mais perto da praia. Não é um efeito uniforme de orla, é localizado, e medir a chuva no lugar certo muda o que se enxerga.

Metodologia

O cruzamento usa a estação confiável mais próxima de cada praia. O gráfico mostra só as praias com associação conclusiva por um teste z de duas proporções (p<0,05), ranqueadas por tamanho de efeito (diferença em pontos percentuais), não por razão crua. As demais ficam de fora por amostra insuficiente ou efeito não significativo. O agregado da cidade (todas as coletas num único 2×2) dá um efeito pequeno e não significativo, que encolhe quanto mais local é a medição. Por isso o destaque é por praia, não a média. A chuva aqui é medida em mm pela EPAGRI/CIRAM e por estações CEMADEN validadas (as que concordam com a rede oficial em dia de chuva forte; ver “Cobertura da rede”) numa janela de 48 h, distinta do fator “Chuva” do painel acima (observação categórica do coletor do IMA; o histórico por praia usa 3 dias só para contexto visual).

Rede de medição

Cobertura e qualidade da rede

6 estações de chuva, e 4 automáticas do CEMADEN reprovadas na validação antes de entrar. Densificar a rede só ajuda com dado conferido.

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O cruzamento usa 6 estações: as 4 da EPAGRI/CIRAM com registro longo, Cetre (centro), Santo Antônio de Lisboa e Carijós (norte) e Lagoa do Peri (sul), mais 2 estações automáticas do CEMADEN (Agronômica e Canasvieiras) que aproximam a medição do centro-oeste e do norte da ilha. Cada praia passa a usar a estação local mais próxima em vez de uma do outro lado da baía.

Por que só 2 das 6 do CEMADEN? Antes de usar, comparei cada estação automática com a estação oficial vizinha nos dias de chuva forte. Duas passaram (leem 86 a 88% do volume e pegam 60 a 69% dos dias fortes da vizinha). Quatro ficaram de fora: Coqueiros e Rio Vermelho leem menos da metade da chuva e, quando a rede oficial marca chuva forte, elas registram ~2 mm (subleitura crônica); a SC-406 faz o oposto, superestima (~1,7×); e Areias do Campeche saiu em setembro de 2026, ao ser reavaliada com a série mais longa: passava com folga na primeira rodada e caiu para 45% de detecção, perdendo mais da metade dos dias de chuva forte da vizinha. A Lagoa do Peri, oficial, fica a 2,8 km e cobre a mesma região. Incluí-las achatava o sinal artificialmente, não por a chuva importar menos, mas por o sensor estar errado.

O ponto técnico: densificar a rede só ajuda com dado validado. Foi medindo a chuva mais perto e melhor que o efeito aparente da cidade encolheu (de ~+6 para ~+2 pontos) e revelou que ele é localizado, não uniforme. Ainda há lacunas: Mole e Joaquina seguem sem estação local de registro longo (usam Cetre, do outro lado da ilha), e a estação AGROMET instalada no Morro da Lagoa em março de 2026 ainda não cobre a janela analisada. Investir em monitoramento, com cobertura e controle de qualidade, é o que transforma “achamos que piora com chuva” em evidência sólida o bastante para orientar fiscalização, alertas e obras.

Resumo técnico

Balneabilidade explicada como evidência

O objetivo é mostrar quais praias são estáveis, quais oscilam muito e onde a chuva ajuda a antecipar piora de qualidade da água.

Dados usados

8.840 coletas oficiais do IMA/SC, séries de chuva da EPAGRI/CIRAM e do CEMADEN (validadas) e coordenadas dos balneários.

Método

Separa severidade de volatilidade e cruza cada coleta com chuva acumulada nas 48 horas anteriores na estação confiável mais próxima.

Resultado

40 balneários comparáveis e 5 associações chuva-balneabilidade marcadas como conclusivas pelos critérios do painel.

Limite

A análise é descritiva e associativa. Não prova causa, não substitui boletim oficial e perde precisão onde a rede de chuva é distante.

Inventário de fontes

De onde vêm os dados

A análise é descritiva e associativa: cruza dado oficial de balneabilidade com precipitação medida. Não prova causa, não substitui o laudo nem o boletim oficial, e perde precisão onde a rede de chuva fica distante do balneário.

Ver as 4 fontes

IMA/SC: balneabilidade

Oficial

Coletas oficiais de balneabilidade das praias, classificadas pelo critério de E. coli da Resolução CONAMA 274/2000: água própria até 800 NMP/100 mL (categoria satisfatória) e imprópria quando a última amostragem passa de 2.000.

Alimenta

A classificação própria × imprópria, a estabilidade histórica por praia e o cruzamento com chuva.

IMA/SC: balneabilidade (abre em nova aba)

EPAGRI/CIRAM: precipitação

Oficial

Séries de precipitação diária de 4 estações pluviométricas da EPAGRI/CIRAM com registro longo (Cetre, Santo Antônio, Carijós, Lagoa do Peri).

Alimenta

A chuva acumulada nas 48 h antes de cada coleta, base do cruzamento chuva × impropriedade. Cada praia usa a estação confiável mais próxima.

EPAGRI/CIRAM (abre em nova aba)

CEMADEN: pluviômetros automáticos

Oficial

Estações automáticas do CEMADEN que aproximam a medição de chuva do norte e do centro da ilha. Só entram as 2 validadas contra a rede da EPAGRI em dias de chuva forte (Canasvieiras e Agronômica); 4 foram excluídas: Coqueiros e Rio Vermelho por subleitura, a SC-406 por superestimação e Areias do Campeche por perder dias de chuva forte.

Alimenta

A chuva local de cada praia onde a estação automática validada fica mais perto que a oficial.

CEMADEN (abre em nova aba)

CONAMA 274/2000

Legal

Resolução que define os critérios de balneabilidade das águas no Brasil: própria até 800 NMP/100 mL de E. coli (satisfatória) e imprópria acima de 2.000 na última amostragem.

Alimenta

O critério que separa coleta própria de imprópria: é a régua oficial usada na leitura.

Base legal (abre em nova aba)