Uma ferramenta, vários mapas: o que o permite em cada pedaço da cidade, onde isso toca área frágil, como está o esgoto e o quanto a mancha urbana avançou, em linguagem clara.
Tudo com base rastreável: dados oficiais (GeoPortal PMF, IBGE) e satélite (GHSL), método documentado e limite declarado. As leituras mostram onde o plano protege e onde é mais permissivo, sem fechar um veredito.
Todas as camadas vêm do GeoPortal da Prefeitura de Florianópolis e foram conferidas contra a fonte.
Camadas oficiais
24
Fonte verificada
31/05/2026
Veja no território
O zoneamento e o ambiente, no mapa
O mapa parte do do Plano Diretor vigente (LC 739/2023), colorido pela intensidade de construção que cada zona permite. Ligue as (curso d'água, nascente, manguezal, restinga, duna, encosta e área úmida), as classificadas pelo SNUC (proteção integral × uso sustentável, selecionáveis uma a uma), outras áreas protegidas (costão, Mata Atlântica, tombamento), a cobertura vegetal (floresta, restinga, manguezal) ou os setores de risco do PMRR (movimento de massa × hidrológico, por grau R1–R4). Clique em qualquer ponto para ver o que incide ali: a zona, as UCs, as APP, o risco e a proteção mapeada, com a base legal. Dados oficiais do GeoPortal da Prefeitura.
Novas alterações de microzoneamento suspensas pelo TCE/SC (maio/2026). Quatro ADIs do Ministério Público questionam intervenções em APP e o aumento do potencial construtivo. entenda o status legal →
O que compõe cada classe do zoneamento
Adensável · 103 km²
Área Residencial Predominante50,4 km²
Área Residencial Mista21,5 km²
Área Mista Central12,1 km²
Área Mista Serviços8 km²
Área Turística Residencial6,1 km²
Zonas Especiais de Interesse Social4,5 km²
Área Residencial Cultural0,1 km²
Construção moderada · 52 km²
Área de Urbanização Especial23,2 km²
Área Comunitária / Institucional17,4 km²
Área Residencial Rural6,8 km²
Área de Parque Tecnológico4,4 km²
Proteção / verde · 258 km²
Áreas de Unidade de Conservação179,9 km²
Área de Preservação Uso Limitado - Encosta39,6 km²
Zona de Interesse de Proteção24,8 km²
Área de Preservação Uso Limitado - Planície7,7 km²
Área Verde de Lazer6,2 km²
Área Turística de Lazer0,1 km²
Categorias oficiais do zoneamento (LC 739/2023), agrupadas por intensidade de construção. No Observatório, “área de construção” = Adensável + Moderada; a Proteção fica de fora.
Fonte e limites das camadas ambientais
Camadas oficiais do GeoPortal PMF (camadas oficiais de UC e APP) (auditado em 2026-05-31). GeoPortal PMF: Áreas de risco (PMRR): Plano Municipal de Redução de Riscos; setores de risco geotécnico e hidrológico mapeados (Min. das Cidades). GeoPortal PMF: Cobertura vegetal: Mapeamento de fitofisionomias da PMF; Mata Atlântica e ecossistemas associados (Lei 11.428/2006).
Dados na escala municipal do GeoPortal PMF. Esta versão cobre APP de curso d'água, nascente, manguezal, restinga (inclusive em formação), duna, encosta/declividade (carta oficial ≥ 46,6%) e área úmida (banhado), além de outras áreas protegidas (costão, PMMA, tombamento) e dos setores de risco do PMRR. APP de topo de morro (art. 4, IX) ainda não está incluída: o GeoPortal só disponibiliza um morro-piloto, não a delimitação municipal. A consulta indica sobreposição aproximada e não substitui levantamento topográfico em campo, laudo técnico nem consulta oficial ao órgão licenciador (IMA/SC, FLORAM, IBAMA).
A cidade construída e a que o Plano Diretor permite
Para cada camada protegida, dois números: quanto a mancha urbana de 2025 já ocupa (como está hoje) e quanto cai em zona onde o plano permite construir (Adensável + Moderada, até onde se pode chegar). O espaço entre as duas barras é a margem que o zoneamento ainda abre sobre cada área; o mapa abaixo mostra onde esses conflitos estão. Interseção real por área.
APP (preservação permanente)
Já ocupado (mancha 2025)8 km²
Permitido pelo plano23,5 km²
O zoneamento permite construir sobre quase 3× mais APP do que a mancha já ocupa.
Manguezal
Já ocupado (mancha 2025)0,6 km²
Permitido pelo plano9,4 km²
Pouco mangue está sob a cidade hoje, mas o plano libera construção sobre muito mais, e aterrar mangue é crime federal.
Mata Atlântica (floresta ombrófila)
Já ocupado (mancha 2025)2,5 km²
Permitido pelo plano7 km²
A floresta está, em boa parte, fora da cidade, mas o plano abre espaço para quase o triplo do que já foi ocupado.
Risco: movimento de massa (PMRR)
Já ocupado (mancha 2025)5,6 km²
Permitido pelo plano5,6 km²
Cerca de metade do risco de deslizamento mapeado já está sob a cidade, e o plano permite adensar sobre praticamente toda essa parcela.
Risco: hidrológico / enxurrada (PMRR)
Já ocupado (mancha 2025)0,4 km²
Permitido pelo plano1,5 km²
Pouco risco de enxurrada/inundação está ocupado hoje, mas o plano libera construir sobre o triplo dele: adensamento incentivado sobre área de enxurrada.
Unidades de Conservação
Já ocupado (mancha 2025)1 km²
Permitido pelo plano0,2 km²
Ponto forte do plano: as UCs ficam quase inteiramente fora das zonas de construção.
Áreas inundáveis
Já ocupado (mancha 2025)15,1 km²
Permitido pelo plano46,1 km²
O plano libera construir sobre o triplo da área inundável que a cidade já ocupa: adensamento sobre terreno que alaga.
Dois recortes só de proteção
9 km²
de cidade já construída sobre zonas de proteção / verde (10% da mancha).
45,4 km²
de Mata Atlântica fora de qualquer UC (27% do total), lacuna de proteção formal.
Onde esses conflitos estão no território
Cada área colorida é uma camada protegida que cai em zona onde o plano permite construir. Clique para ver o conflito e a base legal; ligue a mancha urbana para comparar com o que já está ocupado.
“Permitido pelo plano” é o que o zoneamento libera, não o que será construído: APP, mangue e dunas seguem protegidos por lei federal independentemente do zoneamento, e qualquer obra depende de licenciamento. A comparação mostra a tensão entre o que o plano abre e o que a proteção ambiental restringe.
Resumo técnico
Como esses números foram calculados
Os números saem de um cálculo aberto (geopandas) sobre as camadas oficiais acima, não de estimativa manual. Dá para reproduzir.
Dados
Mancha urbana 2025 (GHSL), zoneamento (LC 739/2023), APP, manguezal, unidades de conservação, setores de risco do PMRR e cobertura vegetal (GeoPortal PMF / GHSL).
Método
Reprojeção para UTM 22S (SIRGAS 2000), correção e união de geometrias e interseção de área entre as camadas, com geopandas. “Permitido” = zonas Adensável + Moderada (o que o plano libera construir).
Limite
A mancha urbana é GHSL (~100 m, satélite): o lado “já ocupado” tem escala grosseira. O lado “permitido” (camada × zoneamento) é vetorial fino. Área mapeada não é veredito de ocupação irregular.
Crescimento urbano
O avanço da mancha urbana
A cidade não para de crescer. Pela leitura de satélite (GHSL), dá para ver quanto a de Florianópolis cresceu em meio século e em que períodos avançou mais. No mapa, cada cor é a mancha de uma década, do roxo (1975) ao amarelo (2025); ligue e desligue as camadas para ver a cidade se espalhar da área central para as bordas.
Crescimento 1975 a 2025
+100%
de 42,9 para 85,8 km² (GHSL/JRC, satélite)
Período de maior expansão
1985–1995
+13 km², a fase que mais cresceu
Ritmo recente (2015–2025)
+4km²
a expansão desacelerou na última década
Mancha urbana de Florianópolis, por ano
Extensão urbanizada medida por satélite (GHSL): área com ao menos 15% de superfície construída. Dobrou desde 1975.
Fonte: GHSL GHS-BUILT-S R2023A (JRC/Comissão Europeia), 100 m, derivado de imagem de satélite.
Resumo técnico
Como medimos o crescimento
Os recortes saem de rotinas versionadas sobre os arquivos oficiais do GHSL, não de estimativa manual.
Dados
GHSL GHS-BUILT-S R2023A (superfície construída por satélite, 100 m), da Comissão Europeia/JRC, em várias épocas (1975 a 2025).
Método
Recorte ao limite de Florianópolis. A mancha urbana de cada ano e a série são a área com ≥15% de superfície construída na célula de 100 m; o contorno do mapa é suavizado para leitura.
Limite
GHSL tem resolução de 100 m: é um retrato de escala municipal, não cadastro de lote.
Nossa leitura
Duas formas de medir o construído: satélite e cadastro
Comparei, célula a célula, a área construída que o satélite enxerga (Microsoft, ~2026) com a que o cadastro municipal registra. No total da cidade o satélite vê cerca de 45% mais área, porque o telhado visto de cima é maior e mais inclusivo que o lote do cadastro. É uma diferença de método entre as duas bases, não falta de registro. Por bairro, porém, a cobertura do cadastro não é uniforme: varia de ~22% (Santa Mônica) a ~101% (Itaguaçu), com mediana de ~73% entre os 56 bairros.
O satélite vê construído
26,2km²
área de telhados detectada na ilha (Microsoft, satélite)
O cadastro registra
18,1km²
mesma área, pelo cad_edificacao da Prefeitura
Cobertura do cadastro
69%
da área que o satélite vê (total da cidade); por bairro varia de ~22% a ~101%
Resumo técnico
Como fiz a comparação
A extração das edificações a partir da imagem de satélite é da Microsoft; a comparação por célula com o cadastro municipal é minha, por uma rotina versionada. As duas fontes e o arquivo do resultado estão no inventário, em “Dados técnicos”.
Dados
Microsoft Building Footprints (telhados extraídos de imagem de satélite, ~2026) e o cad_edificacao do GeoPortal da Prefeitura.
Método
Cruzar prédio a prédio vira ruído (telhado de satélite e lote de cadastro não alinham 1:1), então comparei por célula de 100 m a área construída de cada base. O mapa sobrepõe as duas: satélite por baixo, cadastro por cima.
Limite
Não mede construção fora do registro. No total da cidade o satélite vê ~45% mais área porque mede o telhado e não o lote. A cobertura do cadastro não é uniforme entre bairros: varia de ~22% a ~101% (mediana ~73%, meio dos bairros entre 61% e 81%). Serve para comparar duas formas de medir o construído, não para contar imóveis irregulares.
Saneamento
A cidade acompanha o crescimento?
O zoneamento diz onde a cidade pode crescer; o esgoto mostra se a infraestrutura acompanha. Este dado não vem do plano: é do Censo 2022 (IBGE), por setor. Metade dos domicílios de Florianópolis está na rede coletora; a outra metade depende de solução individual, sobretudo fossa séptica e filtro, o padrão do sul e leste da ilha. O mapa pinta cada setor pela solução da maioria.
Domicílios na rede coletora
52%
219.743 domicílios no município
Em solução individual
44%
fossa séptica/filtro · 3% em solução inadequada
Em áreas que alagam, fora da rede
69%
dos 24.784 domicílios em área inundável
O Censo registra o tipo declarado, não a qualidade da execução. Fossa séptica com filtro e sumidouro bem feitos são solução válida, mas em solo arenoso e lençol freático alto, comuns no sul e leste, o desempenho é incerto e pode pressionar a água que chega às praias.
Inventário rastreável
Os dados de cada mapa
Cada mapa desta página, e os dados oficiais que o alimentam. Abra um mapa para ver as camadas usadas, com o nome técnico, a contagem e o download em “Dados técnicos”.
Mapa: o zoneamento e o ambiente
Base do mapa principal, o zoneamento do Plano Diretor com as camadas de proteção, risco e cobertura sobrepostas.
Onde e como a cidade pode crescer
O mapa oficial que diz, para cada terreno, o que pode ser construído e em que intensidade.
Por que importa
É a regra que decide se um lugar vira prédio, casa, comércio ou área protegida: molda o bairro inteiro.
Inclui ainda costão rochoso, banhado (área úmida), restinga em formação e áreas naturais tombadas (também do GeoPortal, WFS) e a mancha urbana de 2025 (GHSL) como base opcional.
Mapa: a cidade × o que o plano permite (conflitos)
Interseção das camadas de proteção e risco acima com as zonas onde o plano permite construir (Adensável + Moderada) e com a mancha urbana de 2025. Cálculo por rotina versionada (geopandas) sobre as camadas oficiais acima.
Mapa: o avanço da mancha urbana
Extensão urbanizada medida por satélite, a cada década de 1975 a 2025.